Espetacularização da Mídia

O simulacro de A Montanha dos Sete Abutres em casos reais

Debord, Baudrillard, Morin, Arbex Jr são autores que nos auxiliará a refletir sobre a sociedade do espetáculo, como se dá essa construção e porque as pessoas se sentem atraídas por essa espetacularização da notícia.

Com a reflexão do filme e análise de casos reais como o da Eloá, vamos nos aprofundar nessa discussão.


"Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições modernas de produção se anuncia como imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era diretamente vivido se esvai na fumaça da representação."
A Sociedade do Espetáculo - Guy Debord


Equipe do Neura Urbana

Quando penso que já vi de tudo

Por Larissa Castro

É inacreditável até que ponto chega um profissional de televisão em busca de audiência. São tantas as discussões sobre ética e falta de limites, mas infelizmente a cada dia que passa vem uma nova decepção para quem trabalha no ramo.

Falamos de falta de qualidade para o telespectador, de overdoses de assuntos e superexposição de imagens. Debatemos com freqüência a qualidade do conteúdo apresentado nos programas de variedades e telejornais e a briga entre as emissoras não é nenhum segredo. Mas o que assisti hoje foi lamentável. Não consigo encontrar palavra melhor para demonstrar tanta indignação.

Uma briga de repórteres de emissoras concorrentes ao vivo. Ou melhor, a situação não pode ser chamada de briga, mas sim uma falta de ética e postura incontestável por parte da repórter e principalmente do apresentador da Record.

Fica visível que as duas emissoras marcaram entrevista com o secretário de Minas e Energia e ficou combinado que ele atenderia ao vivo primeiro e rede Globo e depois a Record. O critério usado pelo assessor não dá para discutirmos. Normalmente as marcações são feitas conforme a ordem do pedido ou o horário do jornal. Ele pode sim ter privilegiado uma das emissoras, mas isso não vem ao caso.

O fato é que a Record entra ao vivo antes do horário combinado e o apresentador instiga a repórter a “roubar” o entrevistado da repórter da Globo. Claro que o assessor de imprensa não permite tal atitude e ainda por cima é crucificado pelo apresentador.

O pior, o vídeo foi postado na rede com títulos que variam de “Globo impede Record de entrevistar o secretário de Minas e Energia” até “Record é humilhada ao vivo pela rede Globo”. A atitude dispensa comentários. Para quem teve a oportunidade de ver acompanhe na íntegra a entrada ao vivo no programa “Hoje em dia”.


Mostra revela a imprensa dos imigrantes em São Paulo

Por Flavia Louzane
O Memorial do Imigrante apresentará a partir de 14 de novembro a exposição “A Imprensa Imigrante em São Paulo”. O público terá a oportunidade de conhecer como eram produzidos os periódicos do século XIX e a trajetória de diversos jornais e revistas que tiveram e ainda possuem influências políticas, sociais e culturais sobre a sociedade paulista. A curadoria é do historiador e jornalista Marcelo Cintra.

A mostra contará com mais de 50 exemplares de jornais e revistas dos séculos XIX, XX e XXI produzidos por pessoas das comunidades imigrantes em São Paulo. Haverá ainda equipamentos originais antigos utilizados para a confecção dos impressos, como as máquinas de escrever, prensas, máquinas de impressão, pautadeira, linotipo e clichês utilizados na redação do Jornal “Fanfulla”,fundado pelo jornalista Vitaliano Rotellini em 1893.

Entre os impressos originais, reproduções e fotografias, estarão o italiano Fanfulla (1893), o português - Portugal Democrático (1956), o alemão - Deutsche Zeitung (1897), o espanhol- El Diário Español (1912), a revista tcheca - Slovan (1915), o primeiro jornal japonês - Shukan Nambei (1916) , o árabe - Al Afkar (1903) e o lituânio- Musu Lietuva (1948).
A exposição também exibirá ilustrações e caricaturas retratadas pelo desenhista, caricaturista e jornalista português Rafael Bordalo Pinheiro no jornal “O Mosquito” (1875),um dos primeiros pasquins do país.
Serviço:
De 14/11/09 a 20/12/09
Local: Visconde de Parnaíba, 1.316, Mooca, perto do Metrô Bresser.
Ingressos: R$ 4,00 e ½ entrada para estudantes (entrada gratuita no últimosábado do mês)Aberto: De terça a domingo (inclusive aos feriados).Horário: 10h às 17h

TV de Rua em São Miguel Paulista

Por Mayara Evangelista

"A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão. (...) A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.” Eu sei, mas não devia de Marina Colasanti

Nessa modernidade líquida, que lugar faz sentido para as pessoas? O que estimula de fato as pessoas à observarem, participarem, se mobilizarem em prol a sua comunidade?
Sem dúvida, a comunicação comunitária pode ser dos potencializadores para essa articulação.
Em São Miguel Paulista, por exemplo, existe um Núcleo de Comunicação Comunitária que desenvolve ações com a comunidade. O São Miguel no Ar, como é denominado o núcleo, é composto por 32 jovens que passam por um processo de formação, produzem veículos como jornal, rádio de rua, e agora a mais nova iniciativa uma TV de Rua. Além de oferecerem oficinas para comunidade de fotografia e fanzine.
Neste último domingo, 25/10, ocorreu a primeira experiência de TV de Rua produzida por eles, na Travessa Berigan, Jardim Lapenna, que fica em São Miguel. Foi emocionante de ver o envolvimento dos moradores locais e dos jovens reunidos com representantes de órgãos públicos e especialistas para discutirem sobre os problemas do bairro, como córrego limpo, falta de iluminação pública e coleta seletiva do lixo. Assim como, a participação dos moradores do arredor e das pessoas que passavam por ali todos interessados e atentos na programação. Leia mais...

Câmeras fotográficas, filmadoras, cenário, projetor... Roteiro na mão, empolgação, muita criatividade. Veja a abertura da TV de Rua e um dos vídeos exibidos:





Era uma vez um menino e o balão prateado...

Por Flavia Louzane


A “espetacularização” da notícia e o simulacro - a simulação de algo que nunca existiu realmente, como já dizia o sociólogo Jean Baudrillard ganha vida nas produções jornalísticas. Na última quinta-feira, os Estados Unidos parou para acompanhar a “triste” história do pequeno Falcon Heene, de 6 anos que supostamente havia sido levado por um balão prateado. O irmão do garoto deu a notícia que Falcon estava dentro do aparelho construído pelo seu pai, com o objetivo de monitorar as condições meteorológicas. Em instantes a informação se espalhou e milhares de pessoas acompanharam pela tela da TV norte- americana o balão desgovernado no céu de Colorado.


Após duas horas de vôo, o balão pousou em um pasto e foi cercado por carros de resgate. E para a surpresa das autoridades locais e dos cidadãos que acompanhavam atentamente o caso pela TV, o menino não estava no aparato. Pouco depois do pouso, o xerife local Jim Alderden anunciou que o "incrível Falcon" havia sido encontrado em segurança, escondido na garagem da casa de sua família.



A notícia foi comemorada não apenas pelos familiares de Heene, mas também pelas redes de TV americanas e pelas milhares de pessoas que acompanharam o drama. Mas horas depois, o empenho da família em resgatar Henne e todo o "circo montado" foi questionado durante a entrevista com o canal CNN.

Na noite do incidente, o levado Falcon surpreendeu a família. Ao ser perguntado por que não respondeu da garagem quando seu pai o chamou, o garoto alimentou os rumores de que tudo não tenha passado de uma simulação, quando disse: "vocês disseram que fizemos isso para o programa". O pai de Henne disse que o menino estava confuso. Mera coincidência ou não, os pais de Henne, Richard e sua esposa participam do reality show Wife Swap (conhecido no Brasil como "Troca de Esposas"). O caso que acabou com um final feliz continurá sendo investigado.


Após ter conhecimento dessa notícia, mais uma vez encontro veracidade no pensamento de Jean Baudrillard. Sem dúvida os veículos de comunicação alimentaram uma “hiper-realidade” definida pelo sociólogo, como uma realidade construída. A representação da realidade por meio dos signos torna a notícia mais atraente. O fato não estava explícito, ninguém sabia se realmente o Falcon estava no balão, mas a curiosidade por acompanhar um “espetáculo” quase cinematográfico- que poderia ter ou não um final feliz -ganhou a audiência de milhares de pessoas. Talvez o "apocalíptico" Baudrillard estava certo quando dizia que o poder dos meios de comunicação transforma a vida humana em uma "realidade virtual" na obra Simulacros e Simulção.

Obs: As fotos são da Agência de Notícias Associated Press.

Assista ao vídeo da CNN



Lançamento do Jornal Brasil Econômico


Por Bruna Fasano

Uma grande novidade acaba de aparecer nas bancas de jornais: o Brasil Econômico. Lançado dia 10 de outubro, o jornal chegou de mansinho trazido pelo grupo português Ongoing, responsável pela publicação de O Diário Econômico, em Lisboa.

Inovador, em formato tablóide e papel jornal importado, na cor salmão, segue a mesma linha do Financial Time. O custo para conhecer a novidade é relativamente baixo, a edição de fim de semana cai nas suas mãos por R$ 4,50 e vem escoltada por dois suplementos culturais, a charmosa revista Fora de Série e o encarte Outlook. As matérias são variadas, bem-editadas e boas de se ler. Temas interessantes completam as páginas de design clean, agradável e nada cansativo aos olhos do leitor.

A direção da redação é de responsabilidade de Ricardo Galuppo. O editor da área culural é Fred Melo Paiva, ex-Estadão. E para os apocalípticos que adoram dizer que o jornal impresso vai morrer, está aí uma pequena-grande amostra de que esse discurso é chato, cansativo e furado.