Era uma vez um menino e o balão prateado...

Por Flavia Louzane


A “espetacularização” da notícia e o simulacro - a simulação de algo que nunca existiu realmente, como já dizia o sociólogo Jean Baudrillard ganha vida nas produções jornalísticas. Na última quinta-feira, os Estados Unidos parou para acompanhar a “triste” história do pequeno Falcon Heene, de 6 anos que supostamente havia sido levado por um balão prateado. O irmão do garoto deu a notícia que Falcon estava dentro do aparelho construído pelo seu pai, com o objetivo de monitorar as condições meteorológicas. Em instantes a informação se espalhou e milhares de pessoas acompanharam pela tela da TV norte- americana o balão desgovernado no céu de Colorado.


Após duas horas de vôo, o balão pousou em um pasto e foi cercado por carros de resgate. E para a surpresa das autoridades locais e dos cidadãos que acompanhavam atentamente o caso pela TV, o menino não estava no aparato. Pouco depois do pouso, o xerife local Jim Alderden anunciou que o "incrível Falcon" havia sido encontrado em segurança, escondido na garagem da casa de sua família.



A notícia foi comemorada não apenas pelos familiares de Heene, mas também pelas redes de TV americanas e pelas milhares de pessoas que acompanharam o drama. Mas horas depois, o empenho da família em resgatar Henne e todo o "circo montado" foi questionado durante a entrevista com o canal CNN.

Na noite do incidente, o levado Falcon surpreendeu a família. Ao ser perguntado por que não respondeu da garagem quando seu pai o chamou, o garoto alimentou os rumores de que tudo não tenha passado de uma simulação, quando disse: "vocês disseram que fizemos isso para o programa". O pai de Henne disse que o menino estava confuso. Mera coincidência ou não, os pais de Henne, Richard e sua esposa participam do reality show Wife Swap (conhecido no Brasil como "Troca de Esposas"). O caso que acabou com um final feliz continurá sendo investigado.


Após ter conhecimento dessa notícia, mais uma vez encontro veracidade no pensamento de Jean Baudrillard. Sem dúvida os veículos de comunicação alimentaram uma “hiper-realidade” definida pelo sociólogo, como uma realidade construída. A representação da realidade por meio dos signos torna a notícia mais atraente. O fato não estava explícito, ninguém sabia se realmente o Falcon estava no balão, mas a curiosidade por acompanhar um “espetáculo” quase cinematográfico- que poderia ter ou não um final feliz -ganhou a audiência de milhares de pessoas. Talvez o "apocalíptico" Baudrillard estava certo quando dizia que o poder dos meios de comunicação transforma a vida humana em uma "realidade virtual" na obra Simulacros e Simulção.

Obs: As fotos são da Agência de Notícias Associated Press.

Assista ao vídeo da CNN



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