Por Lourival Sakiyama
O espetáculo da notícia nos diários televisivos, impressos e radiofônicos é o que mais atrai a audiência, elevando, consequentemente, o faturamento das emissoras e jornais. A violência e crime banais, escândalos, tragédias -de preferência as humanas-, celebridades e famosos ou qualquer assunto que possa estimular a atenção do público, e ocupá-lo pelo maior tempo possível, são explorados com objetivos de mercado, portanto, auferir lucros e cooptar publicidade e patrocinadores. Sim, há quem pague, e bem, pelas cotas de programas policialescos de TV, cadernos de jornais, horário de programação em rádios, páginas generosas em revistas semanais.
É hipocrisia apontar cumplicidade dos anunciantes na espetacularização da notícia, no quanto pior, melhor. É o mercado. A lógica publicitária e consumista é fazer parte do seu cotidiano, da sua vida. O telespectador, ouvinte e leitor estão cúmplices deste jornalismo espetáculo? Alimentam a sanha pelo noticiário trágico, invasivo e vulgar? Não! Temos escolhas. O que move então a nossa curiosidade? Por que não despertamos para a chacina, a violência do trânsito, a corrupção pública, o meio ambiente, as drogas? Não há espaço. E talvez sejam fatos corriqueiros e estão na esfera do cotidiano, do entendimento, fazem parte da nossa paisagem e são questões que não queremos debater. Todavia, apenas inferimos, o interessante está no inusitado e surreal que nos estarreça a todos. E venda.
Notícia da UOL sobre o ciclo de “Apagões”
Há 16 anos
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