Por Bruno Bernardi
Quem não se lembra do surreal e famigerado telejornal Aqui Agora, do SBT?
Criado em 1991, inspirado no noticiário argentino "Nueve Diário", do Canal Nueve, o Aqui Agora se tornou um marco no telejornalismo pelas suas características apelativas e chocantes, um visual grotesco e uma mescla de entretenimento e jornalismo puro.
Foi extinto em 1997 e a sua decadência começou quando o excesso das reportagens e das pautas ultrapassou o limite da ética.
Em 96, o telejornal exibiu ao vivo o suicídio de um homem, no centro de São Paulo. Ele se atirou do alto de um prédio e a cena gerou um recorde absoluto de audiência para o noticioso.
Esse, foi o começo do fim.
O momento em que as pessoas ficaram tão chocadas, que começaram a questionar o real sentido de um programa daqueles. A queda foi tão brusca, que apenas um ano depois, o Aqui Agora saiu do ar. Mas deixou heranças como Cidade Alerta, da Rede Record e Brasil Urgente, da Band.
A discussão veio à tona recentemente, quando o canal CBS, dos Estados Unidos, mostrou ao vivo o suicídio de um rapaz, que se atirou da janela de um prédio na cidade de Des Moines, no Estado de Iowa. A comoção e a reação da opinião pública foram imediatas.
A técnica (ou o exagero dela) empregada nessas matérias remete ao antigo filme "A montanha dos sete abutres", filmado em 1951. O longa retrata a busca de um jornalista esquecido e desmotivado em conseguir uma grande matéria e ser reconhecido pelo sucesso e talento, para retornar aos principais jornais dos Estados Unidos.
Para isso, ele se utiliza de um acidente nas montanhas do Novo México, onde um homem fica soterrado e cria uma situação absurda, onde só ele tem acesso ao rapaz e atrai a atenção da mídia do país inteiro.
O trágico desfecho acaba por coroar a insanidade de um repórter em busca de um fato sensacional, passando por cima dos limites éticos e humanos, da relação jornalismo x opinião pública.
Notícia da UOL sobre o ciclo de “Apagões”
Há 16 anos
2 comentários:
Quem nunca se questionou, no dia a dia da profissão de repórter, sobre os valores éticos de se fazer jornalismo? Quem nunca se sentiu mal em ter de aboardar uma mãe que acaba de perder um filho, tragicamente, minudo da idiota pergunta: 'como a senhora se sente?'. É impossível não sentir-se um abutre nessas situações.
Quando falamos em sensacionalismo não podemos esquecer a cobertura "fantástica" que a Globo e TV Record fizeram... Para ganhar na audiência, as emissoras deixaram os moradores da nossa terra da Garoa em estado de pânico! Mais uma da "indústria do entretenimento"
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